segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A HISTÓRIA INCOMPLETA

- Um destes dias vamos ter que examinar convenientemente esse cu para verificarmos se não é um daqueles que andam para aí a cometer actos de indisciplina aqui nas instalações.

Não era a primeira vez que aquele guarda prisional se me dirigia mais ou menos naqueles termos. Já o fizera no pátio, no refeitório e agora, para divertimento dos meus colegas que riram com malícia, naquela hora nocturna de todos recolhermos quando era fechada a porta da nossa cela de 6 camas. Só ainda tinha passado uma semana desde a minha entrada naqueles calabouços.
Apesar de na minha vida livre ter sempre imaginado e, até desejado um dia estar preso no meio de tantos homens com fome de sexo, uma cadeia é mesmo uma prisão para a nossa liberdade. Como a minha pena não iria ultrapassar os três meses, talvez até menos, fiz questão desde que para ali entrei, em aproveitar da melhor maneira possível os dias que são sempre longos naquelas condições. Era-me permitido ler e escrever de forma a narrar para o “word” do meu portátil, que só não podia ter acesso à net, as experiências e as impressões vividas. Acabei mesmo por realizar sonhos antigos, o de ter tido a oportunidade de me relacionar sexualmente com outros prisioneiros.
Logo na primeira semana já havia sido penetrado por um dos reclusos. A partir daquele momento, praticamente todos os dias se proporcionava com todo o tipo de habitantes castigados daquela cadeia novas experiência nesse domínio, algumas delas até de forma muito agradável tal como as descreveria depois no meu diário. Todas as aventuras aconteciam geralmente à noite na minha ou na cama de outro. Apesar de tudo ser feito discretamente e na escuridão das camaratas nem sempre era possível evitar um ou outro gemido mais incontrolado assim como os ruídos de um abanar de camas levando a que quase todos se apercebessem e ficassem mesmo coniventes com as situações vividas por quase todos nós. Bastavam poucos dias para que todos ficassem conhecedores das práticas de cada um de nós. Para além de protagonista fui também observador de diversos acontecimentos entre os quais os sexuais. Era possível às vezes, conseguir um duche a dois e mesmo a três. De resto, noutros locais, graças à vigilância de que eram alvo os cerca de 200 prisioneiros, os contactos íntimos entre eles tornavam-se mais difíceis. Mesmo assim era possível, até no próprio refeitório e em situações previamente combinadas, um dos presidiários ajoelhar-se por debaixo da mesa para brochar por breves momentos os outros dois ou três ocupantes durante as refeições. Eu próprio fui convidado por um desses grupos acabando por aceitar e participar num desses manjares especiais.
Já tivera tempo, quer através de conversas ou, através de diversificados sinais, reconhecer outras personagens que me faziam concorrência na procura de homens viris e sedentos de um bom cuzinho para satisfazer os seus caralhos sempre esfomeados. Não há cu guloso que não saia dali satisfeito mesmo que a falta de cremes seja a causadora de alguns "estragos" já que a lubrificação se limitava ao uso da saliva utilizada nos momentos de puro prazer nos actos de fellatio. A quase totalidade de todas as relações anais não dispensavam antes um sorver apetitoso de uma boca que não parava de se molhar com o saborear de um forte, duro e erguido membro. Às vezes até bastava para que se ficasse por ali já que ambos não resistiam a sentir naquela acção divinais orgasmos lentos e longos. Exceptuando a regular masturbação individual o chamado broche era a prática sexual mais usual naquelas relações homossexuais. Procurei ser selectivo nas minhas escolhas. Como se pode calcular, havia por ali homens cujo aspecto me assustava no entanto, às vezes não me restou senão que sujeitar-me aos ditames daqueles mais fortes e mais brutos que tudo faziam para satisfazer os seus desejos, chegando mesmo às ameaças de pancada, caso não nos entregássemos aos seus desígnios. Vivi mesmo uma situação dessas com um brutamontes condenado a 11 anos com 6 já cumpridos mas que felizmente, apesar da sua brutalidade, iria proporcionar-me grandes momentos de satisfação sexual. As palmadas que me dera nas nádegas durante a nossa relação à canzana, aquele puxar de cabelos que me fizera para empurrar a minha cabeça no acto de o mamar, e a forma como ordenava em todas as tarefas, proporcionaram-me prolongados êxtases apesar dos meus receios. Depois do duche que me obrigou a ter com ele, passaram-se longos dias até que voltasse a acontecer maravilhosamente por mais duas vezes mas muito depois de aquele homem ter tomado de novo a iniciativa para repetir a cena que eu tanto ansiava. Cruzávamo-nos diariamente, trocávamos olhares cúmplices mas só me restava aguardar com esperança que ele voltasse de novo a dar as suas ordens. Verificava entretanto que havia assédio entre ele e outros, que alguns conviviam muito interessadamente com ele e, como nunca tinha a certeza que voltássemos os dois a foder, enquanto esperava, continuei a entregar-me também a outros e a encher assim a minha história de vida.

Cumpria já o primeiro mês de pena quando aquele guarda prisional de sempre me chamou sem que outros me vissem. Era estranho porque sempre e até aquele dia se exibira perante uma qualquer plateia de vários condenados. No entanto, manteve o ser ar bruto na hora de me chamar.
- Oh seiscentos e sessenta e cinco, venha aqui imediatamente ao meu gabinete porque há boas notícias para si. – Foram estes os termos utilizados rispidamente pelo Guarda.
- Com licença – Disse eu quando ultrapassei à sua frente a porta anteriormente entreaberta de um dos gabinetes que ele abrira com um empurrão enquanto me ordenava para entrar fechando-a de seguida totalmente.
No segundo seguinte começou logo a falar enquanto me ultrapassou para se ir sentar na sua secretária e ordenando-me para que também me sentasse à sua frente:
Já lhe dou as boas novas mas antes tenho que preencher um relatório com o seu depoimento sobre estes serviços prisionais. Deduzi logo que estava para breve a minha libertação e que aquele inquérito que me seria feito fazia parte de uma norma legal colocado aos presos na hora da sua saída mas, desconfiando também porque o mesmo não seria confidencial e anónimo tal como se impõe a quem está mesmo interessado em conhecer a verdade. Como não conhecia as leis diferentes porque se regem as cadeias, fiquei na dúvida e resolvi então responder quase sempre com toda a minha sinceridade às questões colocadas pelo inquisidor.
Sucedeu-se um questionário enquanto ele ia preenchendo com cruzes conforme as minhas respostas num bloco apropriado e que no final me seria dado a verificar e assinar como explicou previamente. A higiene, a qualidade das camaratas, a actividade exercida pelos prisioneiros e policias, de tudo me foi perguntado. Lá fui dando a minha opinião que até era razoável e positiva sobre as condições que tinha aquele estabelecimento em relação ao que ouvira falar de outros existentes no país.
Não tinha ainda passado um quarto de hora quando de repente ele parou de escrever e recostando-se na sua cadeira de braços, com os seus olhos fixados na minha expressão que estava sentado no lado oposto da secretária, começava agora com outro toque e timbre de voz mais suave a falar-me.
- O próximo passo é confidencial mas tem também que ser executado porque posteriormente é alvo de estudos pelas entidades competentes – acrescentou depois – Vai ter que se despir totalmente colocar-se de joelhos e de rabo para o ar para eu verificar, tal como já o tinha avisado, se o seu ânus foi alvo de relações homossexuais durante a sua estadia aqui no estabelecimento.
Perante isto comecei de novo e de imediato a fazer as minhas deduções. - Está confirmado, esta argumentação que me está a fazer para me ver o cu é uma autêntica invenção sem nexo. Só talvez um médico legista, seria capaz de tirar conclusões a este respeito e nunca um simples guarda prisional. – Fui concluindo – Este tipo está para aqui a criar uma outra situação fora dos trâmites oficiais. Além disso, anteriormente sempre me mesquinhou com estas palavras à frente de outros prisioneiros mas agora, sem que ninguém esteja por perto para o seu habitual show de masculinidade, o homem se calhar está mais interessado em ver-me o cu e gozar com isso – Fiz-me de parvo e comecei então a despir-me para cheio de curiosidade, ver até onde iria toda aquela história e de que estirpe seria o macho.

Depois de me observar em pé totalmente nu, deu as indicações de como eu deveria fazer.
- Põe-te de joelhos aí no chão, as pernas abertas, rabo esticado para cima, deita os braços para a frente e coloca a cabeça para baixo entre eles – comecei de imediato a cumprir as ordens dadas.
Depois de estar conforme o exigido, acrescentou:
- Quero avisar-te que deves procurar dizer a verdade porque se ainda não sabes, aviso-te que já interroguei outros prisioneiros e portanto, como calculas, sei de muita coisa a vosso respeito. – Disse-me isto enquanto me apercebi que ele se sentava atrás de mim com as pernas abertas lançadas para a frente ladeando com elas o meu corpo estendido.
A sua cara estaria agora quase ao nível do meu rabo. Apesar das minhas incertezas ali vividas do que ele seria capaz de fazer, começara a sentir-me agradavelmente surpreendido com as suas iniciativas e com a minha posição submissa apesar da rudeza do soalho onde assentavam os meus joelhos. Percorreu-me um primeiro arrepio quando as suas mãos abertas me tocaram as duas nádegas para as abrir.
- Ora vamos lá conhecer da história deste cuzinho durante o último mês – agora os seus dedos tocavam-me o ânus e massajavam-no tentando também com alguns movimentos abri-lo um pouco mais.
Por alguns momentos receei que ele tivesse a intenção de forçar uma acção de fisting. No meu passado já tentara com outros amantes cúmplices viver tal experiência mas, das 2 ou 3 tentativas nunca conseguíramos concretizar completamente tal acção porque, a determinada altura receava um rasgar ou um ferimento quando a parte mais larga das suas mãos me começavam a fazer doer apesar de estar sempre bem untado com os cremes apropriados e do cuidado que os meus parceiros tinham em não me magoarem. Neste momento as condições nem sequer eram as melhores para que tal viesse a acontecer. Felizmente que me enganei em relação ao que inicialmente pensei a propósito do que queria fazer o guarda prisional.

- Para verificarmos melhor vamos ter que fazer aqui um servicinho – enquanto me dizia isto escutei a ligação de um aparelho eléctrico. Levantei um pouco preocupadamente a cabeça para saber do que se tratava. À primeira pareceu-me uma máquina de barbear. Confirmei as suspeitas quando ele voltou a dar ordens.
- Quem é que o mandou virar-se. Ponha-se lá como estava que eu vou rapar este cu todo para nada prejudicar a observação que vou ter que fazer.
Nos minutos seguintes imperou apenas o ruído da máquina a trabalhar com certo jeitinho toda a minha zona entre nádegas. Apesar de no passado estar já habituado a esta prática, desta vez a sensação de prazer autêntico foi igualmente muito excitante. Quando ele deu por terminada a tarefa as suas mãos abriram-me as nádegas e com os dedos em redor do ânus fez curtos movimentos de abertura acrescentando segundos depois:

-Muito bem, estou aqui a observar bem este cuzinho e já não tenho dúvidas, andou aqui muito caralho, não foi? Vá, diga-me lá a verdade – ficou a aguardar algum tempo por uma minha primeira frase. Como eu hesitara um pouco na reacção insistiu:
-Confessa-ta lá, ninguém te fará mal por isso. Levou muito nesse cu, diga lá?
Eu estava a tentar tirar as conclusões definitivas do que ele pretendia realmente. Tudo indicava que ele não estaria a fazer as coisas daquele jeito apenas para satisfazer a sua curiosidade. Se esse fosse o caso em principio nada levaria sobre a minha vida íntima. Ele estava com certeza disposto a uma relação sexual com mais uns dos seus prisioneiros paneleiros. Porque não haveria eu de contribuir para o acto? Até porque, aquele tipo me seduziu desde a primeira vez que me provocou. Para além da sua rispidez, o seu físico coadunava-se com os homens que eu queria. Usava sempre uma barba de dois dias, era muito bem constituído, braços e peitorais fortes e já dera para perceber, mesmo que observado sempre de camisa, ser razoavelmente peludo. Parecia-me que caminhava dos 35 para os 40 anos. Era difícil resistir-lhe. Decidi então abrir-me para ele.
- Sim – respondi.
- Sim o quê?
- Fiz isso que o senhor disse.
- Mas isso o quê? Desembucha homem.
- Tive relações homossexuais aqui na cadeia.
- Ah, já percebi, andaste a levar no cu, certo?
- Sim andei.
- E foi todos os dias?
- Só não tive no primeiro dia.
- E foi com quantos? Pelos vistos, muitos?
- Sim alguns.
- Mas quantos foram?
- Para aí uns 15.
- Para aí. Nem sabe ao certo de tantos que foram. Fez também muitos broches, não fez? A todos é claro.
- Foi.
- E até houve vezes que foi mais do que com um. Foi um fartote. Com quantos chegou a ter relações de uma só vez?
- No máximo foi com 3.
- Com quem é que gostou mais que lhe tivesse ido a esse cuzinho?
- Com o 65. O Zé Sucateiro.
- Porquê?
- Porque demorava muito tempo e era bem dotado.
- Era mais dotado que eu? Olhe aqui para traz e diga-me.
Autorizado agora a levantar a cabeça, virei-me e olhei para ele. Por ter sempre a cara apoiada nas mãos e estar sempre de olhos fechados, surpreendi-me naquele momento ao reparar que ele já tinhas as calças e os slipes um pouco abaixo dos joelhos sem me ter apercebido do seu despir para um estado semi-nu. O seu membro estava completamente erecto. Opinei:
- Era mais ao menos como o seu.
- Sim, mas não te estejas a fazer a este que daqui não levas nada, seu paneleiro. Este é só para cus especiais.
Pensei, – “se não me quer enrabar é porque o homem se satisfaz apenas com isto e talvez eu não lhe agrade mesmo” – não me disse que eu era especial mas também tudo indicava que não me desdenhava. O seu inquérito prosseguiu sem que antes me tenha introduzido no ânus a cabeça de um dos seus dedos para o tirar de seguida e acusar.
- Pois é, sai daqui com esse cuzinho bem tratado. Vai satisfeito?
- Vou Sr. Guarda, foi muito bom
- Nesta altura encontrava-me já completamente excitado e cheio de desejo. Mas ele insistia nas perguntas.
- O 118, o Bolo de Chocolate (um dos negros presidiários) também o enrabou?
- Também.
- E o Lopes Mãos de Ferro? Também não deve ter perdoado e você deve ter gostado muito, tenho a certeza.
- Sim gostei muito.
– A minha voz estava cada vez mais melosa graças à tesão que ele não parava de alimentar ao mesmo tempo que me fazia confessar e reviver os meus dias mais recentes.
- O que é que ele lhe fez?
- Deu-me umas reguadas nas nádegas e depois enrabou-me em pé no duche.
- Que novidade me está a dar. Onde é que ele arranjou a régua?
- Não faço ideia, apareceu já com ela e praticamente não falou comigo. Só estivemos juntos dessa vez. -
Tinha-me descaído com aquela espécie de denúncia mas mesmo que soubesse obviamente nunca lhe teria confessado a origem de tão agradável utensílio de prazer usado pelo Mãos de Ferro.
- Veja lá se quer apanhar outra vez agora com uma régua especial que tenho ali na gaveta para lhe dar com ela na planta dos pés. Onde é que ele arranjou a régua ou diz-me onde está ela escondida?
- Juro-lhe que não sei.
- Bem já vi que vai ter que ser. Fazes-me ir ali à secretária.
Apercebi-me do seu levantar atrás de mim assim como os passos do seu caminhar.
Mantenha-se como está, que já o ponho a falar – ouvi depois o abrir de uma gaveta.
Após regressar para junto de mim avisou-me:
-Vou ter que o mobilizar só para não fugir com os pés no momento dos açoites – Ao mesmo tempo senti o couro de uma espécie de pulseira larga no meu tornozelo direito. De imediato a mesma sensação no outro tornozelo.
-Agora vou ter que lhe segurar isto aí nos tomates.
Quando terminou a manobra pareceu-me ter ficado com os testículos ligados a cada uma das pulseiras através de duas correntes em metal cujo peso só por si era suficiente para me puxar a pele que por sua vez era apertada por umas pequenas garras igualmente em metal e que foram por ele afixadas em quatro zonas dos meus testículos. Qualquer ligeiro movimento meu provocava dor o que me obrigava a ficar o mais quietinho possível naquela posição. Ali estava eu de joelhos ao seu dispor, a minha testa continuava apoiada nas minhas mãos cruzadas protegendo-a da dureza do chão, o rabo esticado levantado para o ar e as pernas razoavelmente bem abertas. Mantinha a minha excitação e calculava que iria ser mesmo alvo de algumas sevícias o que desde logo me fez pingar apesar de recear um pouco com as incertezas da dureza e da intensidade das mesmas. Não sei explicar os porquês mas nunca desgostei de uns castigos mais ou menos ligeiros. A minha pulsação era agora mais acentuada. Preparava-me ora, para suspirar ora, para gemer.
- Pronto, só falta pegar na régua – Instantes depois de ele ter dito isto, comecei a perceber e a sentir, com um leve massajar nos meus calcanhares e nádegas, o aveludado frio do couro que revestia uma régua fina e ligeiramente maleável.
- Ou confessa tudo o que eu quero ou amanhã quando for libertado não vai poder mostrar o rabinho ao seu namorado e nem sequer vai passear com ele porque não vai conseguir pôr os pezinhos no chão – Lançou a ameaça.

O homem acertara quando deduzira que um indivíduo mais especial que me visitava semanalmente no estabelecimento prisional era o meu companheiro. Tivera a oportunidade de o confirmar quando ao fim da manhã seguinte assistira à minha saída da cadeia e verificava que o tal namorado de que ele suspeitara esperava por mim e que me recebia com um beijo suave nos lábios. Olhamos os dois para ele e despedimo-nos com um bom dia que foi correspondido. Enquanto nos afastávamos olhei para trás para o ver uma vez mais com aquele seu ar imponente, sobranceiro mas, com alguma impressão minha, denotando alguma tristeza. A mesma tristeza que o meu rosto aparentava propositadamente agora quando me fixara nele pela última vez.
Nem o meu namorado se apercebera e nem eu dera sequer tanta importância ao que ele me acabara de dizer.
- Querido desculpa ter-te levado a cometer aquele pequeno acto de corrupção. Custou-me estar sem ti, amo-te demais para nunca mais te querer ver atrás daquelas grades metido entre tantos bandidos.– Disse-me enquanto eu pensava já no meu próximo dilema que começara a enfrentar.
Teria agora que lhe contar tudo acerca de como foram aqueles últimos dias? A minha relação com o meu companheiro sempre se pautou pela relação aberta e pela verdade. Nunca lhe escondera nada. Nunca até àquela data me entregara a outros homens sem que ele também estivesse presente. Iria com certeza magoá-lo se lhe confessasse todas as peripécias por mim vividas naquela cadeia ainda com mais gravidade se lhe dissesse como me sentia depois daqueles momentos vividos nas últimas 24 horas com aquele guarda prisional. Ainda nessa primeira tarde de reencontro em liberdade, enquanto o meu companheiro me penetrava, abraçando-me com grande saudade, os meus gemidos e beijos disfarçavam aquelas imagens que me invadiam a mente. Entre tantas outras uma delas surgia-me ciclicamente, a daquela manhã enquanto tomava o meu duche para depois me vestir e regressar à vida fora da cadeia e em que fui surpreendido uma vez mais pela visita daquele guarda que já no dia anterior me marcara ao ponto de se tornar inesquecível. Jamais conseguiria esquecer as suas palavras ditas num misto rude e carinhoso entre o som do barulho da água do chuveiro a cair. – “Boa sorte para a tua vida e porta-te bem, não te quero ver mais aqui e lembra-te também sempre de uma coisa que é para teu bem, nem tudo o que aqui se passa é para contar lá fora. Nesta casa também moram vidas íntimas”
As lágrimas que me surgiram nos olhos debaixo daquele duche, eram tão semelhantes às que me voltaram a escorrer agora com mais abundância quando recordava com uma grande emoção tudo porque tinha passado recentemente ao mesmo tempo que o meu namorado começava a sentir o seu primeiro orgasmo enquanto apertava o seu corpo com os braços e entrelaçava-lhe as minhas nas pernas dele e assim se viesse totalmente para dentro de mim. Chorava por tudo, pelos meus pecados, pela minha felicidade, por ser desejado, pelas pequenas traições, pelas coisas más e pelas coisas boas e sobretudo pela estranha saudade daquela primeira experiência vivida numa cadeia num curto espaço de tempo. Teria algum dia coragem para contar a alguém o que me fizera e como me marcara um homem que era guarda de um estabelecimento prisional? Segui um conselho, preservar certos segredos. É por isso que a história não é completa.


(Escrito entre 24 de Outubro e 24 de Novembro de 2008)