terça-feira, 9 de setembro de 2008

DENTRO DO FILME

Quando entrei naquela sapataria não queria imaginar que me estava guardada uma enorme surpresa. Tinha visto expostas na sua montra umas chinelas para os dias de verão e das férias que tinham chegado. Nos dias quentes adoro caminhar com os pés nus metidos numas chinelas leves e ouvir a cada passo o bater das plantas dos pés. O andar torna-se tão ligeiro e tão agradável levando-me à excitação e tornando-me nessas alturas deveras fraco para resistir ao desejo de me entregar ao corpo másculo de um bom homem. Como aquele que começou por me atender respondendo de igual forma aos meus votos de um bom dia.

-Em que lhe posso ser útil? – Perguntou simpaticamente.
-Desejava experimentar aquelas chinelas pretas de pele que estão ali na montra. Tem o tamanho 39?
Ele recolheu as que estavam expostas e verificou que o seu número era o 41.
-Só um momento que eu vou ver se tenho o seu tamanho. - Dirigiu-se de imediato e expeditamente para o interior de um recôndito da loja que serve de armazenamento de todo o stock à venda. Fiquei então durante uns breves momentos à espera distraidamente a apreciar todo o tipo de calçado exposto enquanto pensava cá para mim, já com o diabo no corpo – Que gajo bom!
Entretanto ele regressou da sua busca com uma caixa na mão e um leve sorriso na cara confirmando-me que tinha o 39 ao mesmo tempo que retirava e mostrava-me já uma das chinelas.
-Deixe-me experimentar – disse-lhe enquanto me dirigi para junto de um pequeno banco para me sentar ajeitando-me de forma a descalçar os sapatos que trazia e receber a primeira chinela que ele me entregava na mão. Calcei-a com o pé nu. Levantei-me e fiquei a admirá-la fazendo movimentos ondulatórios na alcatifa desde a ponta dos dedos ao calcanhar a fim de verificar a sua maleabilidade que por sinal era bastante macia. A chinela tinha um feitio simples, lisa e de uma só cor com uma tira mais ou menos com 4cm de largura que atravessava por cima a parte mais baixa do peito do pé deixando no entanto a totalidade dos dedos à mostra.
-Assentam-lhe bem – não sabia se ele me dizia aquilo com sinceridade ou se simplesmente por obrigação profissional de vendedor.
Porque a mim me parecia que sim, para saber também a sua opinião perguntei-lhe:
-Não lhe parece que elas dão um certo ar demasiado gay? - Teria feito esta idêntica pergunta mesmo que a atender-me estivesse na presença de uma mulher profissional como querendo confirmar as minhas suspeitas e impressões. Fi-la ao mesmo tempo que, flectia o joelho para o interior lançando a perna ligeiramente para fora e levantando o calcanhar deixando o pé inclinado e apenas apoiado no chão praticamente só pela zona do polegar. Até gostaria que me respondessem que sim, coisa em princípio que naturalmente não iriam dizer a não ser que qualquer um deles percebesse que o cliente ficaria mais satisfeito se o confirmassem mas aí, com este já provocando muito mais acintosamente para que eles ficassem logo a saber de que tipo estavam perante. No entanto neste caso, ainda não estaria a querer expor-me assim tanto e, até a muito custo, recusaria a compra caso eles me dissessem que sim deixando-os na dúvida primeiro, porque naquela altura em que experimentara a chinela com aquela posição delicadinha descrita atrás, eles começariam a desconfiar mas depois, mediante afinal a nega da compra motivadas pela opinião expressa pedida por mim, eles já não ficassem com tantas certezas. Eu ficaria bem por tão só já ter vivido com uma certa emoção estes momentos. Dão à vida um picante gostoso. Gostava de viver muitos como estes tão simples mas ao mesmo tempo difíceis porque uma série de preconceitos nos castra.
A resposta dele surpreendeu-me.
-Isso só depende de como se sente quem as calça e do que quiser pensar quem observa – disse-me taxativamente o meu vendedor.
A partir deste momento e desta resposta tão inteligente procurei soltar-me um pouco mais deixando-me arrastar pelos meus desejos.
-Dê-me a outra chinela para ver como fico com as duas calçadas. - Pedi-lhe fixando-me um pouco mais no seu rosto trintão, duro, moreno e exótico com olhos azuis.
-Faz favor – disse-me enquanto me entregava a outra chinela, e depois de uma breve pausa acrescentou – caminhe um pouco sobre a alcatifa para ver como se sente com elas.
Decidi então depois de estar completamente calçado que lhe iria dar a resposta daquilo que eu estava a sentir naquele momento, ia assumir mais o meu ser interior e já não voltaria atrás. Fiz por lho mostrar, não tinha nada a perder pensasse ele o que pensasse.


Naquele momento aquela nossa convivência solitária foi interrompida pela entrada de um homem com uma pasta de papéis na mão que se dirigiu para junto do balcão da loja com ar de quem espera a sua vez para ser atendido. Utilizo a situação e digo ao empregado da loja – Atenda o senhor, não tenho pressa espero, enquanto experimento as chinelas e vejo também os sapatos que tem por aqui. - Disse-o na esperança de ele despachar mais depressa o intruso do que a mim e de voltarmos a ficar novamente sós.
-Então se não se importa, é só assinar ali umas facturas. É rapidinho. Esteja à vontade, volto já. - Afastou-se e dirigiu-se para cumprimentar com um aperto de mão o homem que esperava e que lhe passava uns papéis que já tinha retirado da pasta.

-Ora…é só isto que tem hoje para mim? - Perguntou o empregado pronto a começar a assinar. O assunto tinha a ver pelo que percebi com fornecedores. Desliguei-me depois dos restantes pormenores que ambos estavam a tratar começando então a dar os meus primeiros passos com aquelas chinelas e procurando para já o espelho mais próximo.
O meu andar e os meus movimentos tornaram-se mais efeminados para acentuar bem “a coisa”. Ansiava para que ele pudesse a qualquer momento deixar escapar os olhos do assunto que estava a tratar para reparar em mim e nos meus trejeitos. Pelo canto do olho houve uma altura que, pelo menos dessa vez, ele havia mesmo desviado o olhar coroando as minhas expectativas. A minha adrenalina subia fazendo com que o meu coração batesse mais depressa e atingisse aquele ritmo de prazer ansioso enquanto não parava de caminhar ou de me mexer sempre acintosamente. Podia com prazer continuar ali à espera o tempo que fosse preciso até que ele se despachasse do assunto que tratava no momento. Acabou por ser rápido mas o suficiente para que os “sinais” fossem transmitidos. A partir daqui já não dava para recuar. Voltou então para continuar a atender-me.


-Desculpe a interrupção. Penso que não foi demorado – disse-me.
-Tudo bem. Aproveitei entretanto para ver como me sentia com estas chinelas. Gosto delas. Mas confesse, tal como você diz que também depende de como sente quem vê, com que impressão fica ao ver-me a andar com elas? - Interroguei-o ao mesmo tempo que caminhava de costas voltadas para ele virando-me ao fim de oito passos e regressar levemente outros oito à espera da sua resposta. O som do descolar ligeiro do meu pé, cada vez mais húmido, com a pele da chinela era mais acentuado e excitava-me – Diga-me lá se eu não tenho razão? Isto não é muito gay? - Acrescentei à pergunta anterior.
-Você está a sentir-se gay, não está? - Desviou-se da resposta com uma pergunta subtil. Percebeu o caminho que eu estava a abrir mediante tudo aquilo que havia presenciado até ali.
-Completamente. - Confirmei.
-Estou também a ver um gay e que se sente bem sobretudo depois de ter calçado essas chinelas e ter gostado delas. Aconselhe-o a ficar com elas e acho que faz muito bem porque, para além de tudo, merecem os pés e a pessoa que os calça.
-Muito obrigado pela opinião. – Agradeci e pensei se aquela frase não faria apenas parte das suas perfomances profissionais. Queria saber a verdade mas agora aquela afirmação não era demasiada forte para esclarecer mas ajudava a ficar cada vez mais ansioso e ainda me mantinha na esperança de que podia estar dentro do reino da conquista. Não dava para ficar muito tempo calado e como não sabia como avançar exclamei:
-Ok, vou levá-las. Tire-me a conta então. - Foi a saída mais fácil que encontrei para que tudo fosse correndo e se desfizesse um pouco o meu nervosismo.
Como ainda mantinha as chinelas calçadas ele avançou -Quer levá-las já calçadas?
-Não… – hesitei – não, levo-as ainda num saco. Até porque era preciso ter muita sorte para chegar ali fora e seduzir um homem já tão depressa. - O meu jogo estava todo mostrado e só ele conhecia o dele. - Nunca se sabe – disse-me sorrindo maliciosamente enquanto de olhos nos olhos eu lhe entregava as chinelas para ele as colocar no saco e registar a compra.
-Além disso o homem que eu queria não está lá fora. Está cá dentro. - Declarei-me.
-Mas lá por causa disso vou lá para fora.
-Olá!!!
- Exclamei para dentro – Queres ver que temos homem? - Entusiasmei-me.
-De um homem como você não queria só que me observasse por breves momentos. Ia querer que me observasse todo com muito mais tempo? - Até apetecia suspirar.
-Também gostava, estou ao dispor para quando quiser, conversar, dar uma volta, beber um copo e gostaria que levasse nessa altura as chinelas calçadas, não importa o que os outros possam pensar. - Foi correspondida desta forma a minha declaração.
-Por mim era já hoje, quando você sair ou se preferir e se der, para jantar, beber o tal copo, dar a tal volta e tudo o mais que o programa proporcione.
-Gostava de tomar ainda um duche quando saísse e depois iria ter consigo ou você ter comigo na esplanada do “Bar Sorve-me” aí por volta das 9. - Sugeriu.
Entra uma senhora que se dirige a uma das prateleiras de sandálias de salto alto com bom aspecto e provocadoras em termos eróticos para quem gosta de apreciar. Eu até aprecio.
-Está combinado. Então boa tarde e até mais logo. Recebi o troco e o saco com as chinelas disse novamente boa tarde e saí dando a perceber que ia feliz com o que estava a acontecer. Quando avançava de costas para a porta ainda virei a cabeça para trás ligeiramente e com ela levantada para cima até conseguir encontrar o seu rosto…e sorrir-lhe. Quando o fiz, ele que ainda me olhava, com um movimento subtil de lábios, dirigiu-me um beijo ao que correspondi da mesma forma mas mais descaradamente. Não demos sequer atenção à mulher presente para ficarmos a saber se por acaso ela se teria apercebido daquela cumplicidade tão íntima entre cliente e lojista.


As próximas horas iriam ser vividas com bastante ansiedade que no entanto me faziam ficar bem durante todo o tempo. Antes de me dirigir para casa resolvi passear mais um pouco pelo centro comercial percorrendo todos os caminhos até voltar a passar frente à loja que empregava a minha mais recente conquista. Desta vez não me queria mostrar mas, tão-somente, ainda vê-lo a trabalhar atendendo a senhora. Quando o fiz, fi-lo um pouco lentamente e tive a oportunidade de o ver agachado a calçar um sapato alto à madame. Como gostaria que naquele atendimento, ela tendo pela frente um pedaço de homem daquele tipo que nenhuma mulher despreza, o tentasse seduzir, igualmente como eu, para uma saída mais tarde e ele lhe respondesse que não podia porque tinha assumido um compromisso inadiável, ao que ela como vaca “provocadora” e por se ter apercebido do que se passou entre mim e ele, quando chegou e até à minha saída, lhe tivesse perguntado se seria com aquele cavalheiro que acabara de sair e ele, já que ela queria saber tanto, lhe dissesse que sim. Fiquei a imaginar que depois disto quando ela se fosse embora ainda lhe diria maliciosamente – Boa tarde e boa sorte então para o seu encontro romântico de hoje.
Abandonei estes pensamentos talvez com uma certa carga de ciúme bom e dirigi-me para casa quase que saltando de contente.


As horas foram passando e eu aproveitava para me preparar para o grande encontro. A minha cabeça era uma confusão de ideias. Como haveria de ainda o seduzir mais ao ponto de levar tudo aquilo para o aconchego de uma cama com dois corpos perdidos de tesão? Preparei-me também fisicamente. Próximo da hora, fiz a minha higiene mais completa que o habitual, já de sobreaviso para o que pudesse vir a acontecer, tomei o meu banho esfregando com suavidade todas as zonas do corpo gozando com o espalhar da espuma, sequei-o totalmente e demoradamente, verifiquei as unhas, espalhei da ponta dos pés até ao rosto os melhores cremes que faço questão em ter sempre, penteei as sobrancelhas que com a idade tendem a ficar espetadas, escolhi o melhor fio dental que tinha, vesti a t-shirt preta sem mangas segura apenas pelas alças nos meus ombros quase despidos, fui buscar os calções igualmente pretos de meia perna, calcei as chinelas compradas nessa tarde, mirei-me em todas as frentes perante o espelho alto do quarto até que chegou a hora de ir caminhando sem muita pressa mas gerindo a hora combinada para chegar ao “Bar Sorve-me”. Atrasar-me-ia propositadamente para lá chegar depois dele, mostrar-me agora mais provocadoramente de corpo inteiro enquanto iria ao seu encontro e agradar-lhe aos olhos ao ponto de o levar a travar o seu e, também já agora o meu, impulso imediato de desejo carnal.


-Boa noite. Sim senhor, muito bem – Começou por me saudar quando cheguei junto da mesa.
-Olá. Muito bem o quê?
-Tudo do que estou a ver chegar. Estou satisfeito pela grande venda que fiz hoje. As chinelas ficam mesmo bem.
– Adorei o piropo.
-Fico contente por saber que gosta. Tento apresentar-me sempre bem para os grandes encontros. Acho que estou a dar demasiado nas vistas mas pronto, sinto-me bem. Também devo dizer-lhe que os meus olhos estão muito agradados com a pessoa que têm à frente – Disse-lho enquanto me acabara de sentar ao mesmo tempo que o admirava também.
-E que tal se nos tratássemos por tu? – Propôs-me.
-Tanto me faz, vamos fazer como der jeito e dependendo de cada momento. Às vezes sabe-me bem tratar por você a outra pessoa sem que tal signifique distância entre ambos. Pelo contrário. Por exemplo, nunca tratou alguém por você na cama?
Pensou um pouco, talvez puxando pela memória para poder responder-me. Fez um trejeito de incerteza com os lábios e disse-me – Sinceramente não me lembro. Talvez, não sei. Pelos vistos você já?
-Algumas vezes, depende mesmo sempre. Na cama somos capazes de nos tratar de todas as maneiras, do mais ordinário até ao você.
Aquele início de intimidade começava a dar-nos prazer. Os “ataques” eram rápidos. Já tínhamos percebido que tudo aquilo ia acabar na cama, por agora as conversas e os actos faziam parte dos preparativos enquanto saboreávamos outros aperitivos servidos até à hora do jantar.


Foi ele que me conduziu ao restaurante. Eu apenas queria ser surpreendido em todas as suas propostas, era uma estratégia não estabelecida mas que até ali estava implicitamente aceite pelos dois e com a qual nos estávamos a sentir bem.
As conversas, durante uma muito tranquila refeição, eram apenas concentradas no nosso mundo e nos nossos interesses. Dera para perceber que ele era bi mas com maior incidência na homossexualidade. Era já medianamente bem vivido talvez até mais do que eu.
-Quem sabe se esta noite não vou conhecer a pessoa mais interessante de todas as que conheci? - Esta sua expressão veio na sequência de um dos pontos mais íntimos da nossa conversa.
-Pois, isso também não lhe posso dizer. Situação idêntica pode acontecer comigo, também ainda não sei se esta noite encontrarei o “príncipe encantado”. Até agora e pela amostra, tudo se conjuga para que esteja perante alguém pelo menos especial. Essa pessoa começa-me a fazer arrepiar, a entrar naquela fase que já me é posterior ao desejo. Quando depois o arrepio chega ao ponto de me atravessar a totalidade do corpo, perco-me mas deixo-me ir até ao final de um longo espasmo. – O meu convite para tudo estava assim feito. Agora era só esperar.
-Esta noite quero fazer sexo contigo apaixonadamente. – Não comentei estas suas palavras, disse-lhe apenas com os olhos que também o desejava – Mas não tem que ser já, agora vamos saborear todo o ambiente entre nós, a noite vai ser longa, vamos pagar e vamos até uma discoteca dançar até não aguentarmos o fogo que há-de arder em nós.


Um táxi levou-nos até uma discoteca gay. O percurso foi praticamente feito em silêncio, cada um estava absorto nos seus pensamentos. Entre nós, daquilo que mais nos interessava naquele dia tudo já tinha sido aflorado. Estávamos a deixar arrastar o desejo. Esse silêncio manteve-se ainda durante os primeiros cinco minutos que demorámos a admirar o ambiente e a escolher o balcão do bar da discoteca para nos colocarmos e pedir uma bebida. Aquele estar demorou até ao momento que ele se aproximou de frente ainda mais de mim e me disse cara a cara:
-Acho que finalmente já te posso beijar.
Foi longo aquele embrulhar de línguas e de bocas gulosas. As zonas pélvicas esfregavam-se uma na outra e percebi pela pressão exercida o volume redondo dentro das suas calças.
O som alto da música de dança não nos permitia conversar muito. Quando havia que dizer algo aproximávamos a boca até os lábios tocarem nos ouvidos do outro. Geralmente provocávamo-nos. Não resisti a mexer o corpo acompanhando o ritmo da música. Ele admirava os meus passos e movimentos. De momentos a momentos sentia a seiva escorrer-me pela uretra e molhar-me a parte da frente do fio dental. Ao fim do nosso segundo copo, duas horas depois, ele aproximou-se e propôs:
-Vamos chamar um táxi e vamos para minha casa?
-Acho que sim. – Respondi.


Mal fechou a porta de casa, no canto do hall de entrada, abraçou-me e voltámos a beijarmo-nos envoltos num grande tesão. Fez-me levantar as pernas e com elas obrigou-me a abraçar-lhe a zona dos rins cruzando os meus pés nas suas nádegas e segurar-me ao seu pescoço com os meus braços. Nesta posição transportou-me ao longo do corredor que dava acesso da entrada até à sala. Nesta, virou à direita e subiu uma escadaria larga até ao primeiro andar e ao corredor dos quartos.
-Desculpa, mostro-te a casa mais tarde. – Disse-me ao ouvido mantendo-me sempre ao seu colo.
Entrámos num quarto grande, uma luz baixa acendeu-se automaticamente e deitou-se sobre mim atirando-nos para cima de uma cama também enorme. Começamos a escorregar os corpos um no outro e outras vezes sobre o cetim azul. As suas mãos foram aos meus pés, descalçaram-me as sandálias que foram deixadas cair sobre a alcatifa provocando um som abafado. Aos poucos e poucos íamo-nos libertando das peças de roupa que ainda nos incomodava. Fui o primeiro a ficar totalmente nu depois de ele me puxar para baixo o fio dental que apenas escondia metade do meu membro pois a outra metade já havia “rompido as fronteiras.” Chupou-me até ao fundo duas a três vezes fazendo-me soltar o primeiro gemido. Virou-me de barriga para baixo e agora abriu-me as nádegas e passou-me a língua pelo ânus. Ao mesmo tempo despiu-se completamente retirando por último a sua também tshirt de alças pretas. De joelhos sobre a cama voltamo-nos a beijar na boca. Os meus olhos tinham resistido a dirigirem-se para a sua zona pélvica. Sentia apenas encostado na minha barriga nua a denúncia de um volume enorme. Já não conseguia resistir mais. Baixei-me, enquanto ele apoiou as nádegas sobre os seus calcanhares, esticou-se e ofereceu-me um dos caralhos mais bonitos que eu vira até ali. A minha boca acariciou-o durante largos minutos. Escorria-me água pela boca fazendo-me molhá-lo todo. Comecei a sentir na minha língua as suas primeiras gotas de seiva. Fez parar a acção que decorria entre palavras carinhosas, e obrigou-me a deitar-me de costas. Os seus braços procuraram as minhas coxas e fez-me levantar as pernas abertas. Voltou a lamber duas vezes mais o meu ânus molhando-o também com a sua saliva. De seguida comecei a sentir a grossura do seu pénis a querer rasgar-me. Defendia-me como podia, ajeitava-me de forma a conseguir suportar a investida daquela “cabeça larga” Nunca recuou, parava apenas de vez em quando correspondendo aos meus “ais” e quando verificava que eu estava mais aliviado e me abria aos poucos, perfurava-me ainda mais. Acabei por o receber na sua totalidade. Os seus movimentos de quadris começavam agora a ser mais rápidos e mais profundos. Os meus olhos reviravam-se e começava a sentir os primeiros espasmos. Quando pensei que as coisas iriam ficar por ali por alguns momentos, dado o meu estado já debilitado, movimentou-me de forma a colocar-me de joelhos. Se não fora já a minha experiência, iria naquela posição sentir uma enorme vergonha pelo estado caótico com que o meu cuzinho se apresentava aos seus olhos depois de já ter sido tão massacrado antes. De qualquer das formas disse-lhe mesmo – Que vergonha, querido.
-Goza querido, goza isto tudo à vontade porque eu também estou a gozar muito.
Acabou de proferir estas palavras e de imediato começou a espetá-lo de novo dentro de mim. Como é que uma coisa destas iria acabar?


De repente tudo se desligou. Candeeiro, luz da rua e televisor. Acordado para a realidade dos factos insultei sozinho os responsáveis por aquele corte de energia e logo numa altura daquelas. O resto do vídeo que estava a ver tinha de ficar para a próxima vez, apesar da contrariedade, não tinha outro remédio. No entanto, aquele momento que eu admirava naquela história projectada, dificilmente provocaria o mesmo efeito em mim caso nunca tinha tivesse acontecido aquela interrupção. Os momentos são sempre diferentes e, as sensações também. Que assim seja, que a vida não se torne numa rotina simples de repetições. Aquele instante era especial, apesar dos meus pensamentos que antecedem o meu adormecer no dia a dia em que a imaginação me transporta para cenários fantásticos da alma humana e da natureza das coisas que ainda resiste, nunca me ocorreu que me pudesse “perder” daquela maneira ao ponto de me deixar ir pela onda do filme, envolver-me tanto naquilo tudo, entrar naquela personagem e estar convencido que tudo aquilo se estava a passar como se eu lá estivesse. A escuridão da noite sem luz veio despertar-me e dizer que afinal estava a ver uma ficção mas, depois da minha natural frustração inicial, fiquei mais descansado quanto meditei um pouco sobre o que se tinha passado e, afinal acreditar que viver aquele argumento pode muito bem acontecer na realidade. É preciso ter sorte mas a sorte é rara.

(Escrito entre 4 de Agosto e 10 de Setembro de 2008)

3 comentários:

spritof disse...

A sorte faz-se!
Não acontece só por acaso.



Rivalizas em quantidade com os meus textos.

Um abraço.

DESIRE disse...

Umas palavrinhas neste brinde à inauguração:
- Um texto soberbo, com todas as pinceladas eróticas, desde o pé e a sandália, a roupa preta, o discurso, a noite escaldante e o fim inusitado!
- Muito bem escrito, em tom sensualmente cuidado e sem erros, um prazer para os sentidos!
Fico feliz por não ter perdido esta "pescaria sem rede".
Beijos prometidos

Anónimo disse...

Sinceros Parabéns por este texto simplesmente divinal...

Jorge