segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CARTA DE UM CLIENTE

Durante a maior parte da minha vida fui sempre um pouco relutante em recorrer a um prostituto. Também nunca condenei alguém por o fazer ou se-lo. Aliás, no sexo são raras as práticas que repugno. O certo é que o meu instinto me provocou com a pergunta – “Se te apetece porque não?” – Ora aí está, se me apetecia porque não pagar a um tipo e procurar gozar tal como são as circunstâncias que aconteçam em cada uma das situações? Suspeito que de uma maneira geral esse tipo de relação acaba com uma pequena frustração por isso evitei chegar a esse ponto mas, sempre com o remorso de quem sabe se, na minha tranquila procura, não me surgisse um tipo que me fizesse “estremecer”. Sei que é difícil porque, tal só acontece quando “me dou” praticamente todo ao meu parceiro e sinta também nele a sua tesão por me estar a “comer”. Gosto de “me entregar” ao homem que me deseja. É isso que depois me leva a um “ponto alto”. Julgo que essas fundamentais condições praticamente não podem acontecer com prostitutos que ali estão apenas, não para se satisfazer mas tão só, a “prestar” um serviço para o qual são pagos e que de certa forma até compensam um pouco o desejo do seu cliente. Usam-se uns aos outros. Foi mais ou menos sempre assim que vi as coisas quanto a esta questão. Até porque, logo no princípio do meu desejo homossexual e, enquanto os amantes da minha vida não me foram aparecendo naturalmente, após ter decidido sair do tal “armário” famoso de que tanta gente fala, já havia feito a experiência de ter recorrido a um prostituto,(o mesmo das primeiras 3 vezes) mas que de certa forma fora uma ilusão. Fisicamente era fraco em todos os aspectos e até na cama durante a relação era praticamente dispensável dadas as suas “performances”. Nem minimamente dotado era. Um pouco frustrado após as minhas expectativas, de uma coisa que imaginara sempre como algo de bom, levou-me a ficar um tanto desiludido com aquela prática. No entanto, apesar de não ter sido tão entusiasmante daquelas vezes, a partir dali, tudo começou a mudar em mim. Já me iniciara na experiência para me sentir mais à vontade na aproximação a outro tipo de encontro que viesse a acontecer no futuro mas tentando que da próxima fosse dentro do espírito da partilha conjunta de prazer. Ficara a saber que era possível, bastaria começar a libertar-me um pouco mais. Decidi que o iria fazer dali para a frente e portanto iniciei a procura de diversas formas possíveis para a altura. Se não desse para encontrar algo diferente de como tinha sido da primeira vez, seria de novo com um outro prostituto. Os meus desejos acentuaram-se. Não demorou muito tempo para que tudo até fosse muito diferente e mais envolvente. Seguiram-se muitos mais ao ponto da minha “chama” nunca mais parar de se “incendiar” sempre em crescendo sem ter que recorrer a serviços cobrados, excepto quando visito saunas gays e procuro os serviços de uma massagem erótica feita pelo seu profissional qualificado.Houve homens que me “reviraram” todo. Passei a sentir-me preenchido sem necessidade de forçar as situações que vivera no início da minha homossexualidade, digamos que como aquelas, menos recomendáveis segundo a opinião geral das pessoas. Agora vivo constantes orgasmos proporcionados pelos amantes que me vão surgindo. Cada um deles é diferente mas todos me satisfazem à sua maneira. Sinto-me bem assim, sem compromissos fixos de parte a parte. Claro que um ou outro me merece mais atenção. A maioria foi desaparecendo. Felizmente tenho sempre alguém. Podia e gostaria de ainda manter um relacionamento com alguns que, por uma ou outra razão não deu para prosseguir. Também não foram assim tantos, 4 ou 5, eram bons e muito estimulantes como por exemplo, aquele que eu começara a temer por me sentir tão preso no acto sexual depois de ser sadicamente tratado por um tipo tão experiente e com muita noção do “fenómeno.” Apesar do “castigo” de que eu era alvo, preocupava-se em saber se o meu prazer ainda se mantinha, mesmo mantendo eu aquele ar um pouco assustado ao som de música clássica ou de Lou Reed misturado com o das palmadas ou reguadas e respectivos gemidos. É muito tentador mas os medos existem. Com medo tenho tendência a fugir mesmo que me apeteça estar presente para ver como é. Tenho dúvidas se por vezes não deveria ficar como neste caso específico.Com os amantes que com os quais vou mantenho maior aproximação lá se procura em conjunto espaço para cada um nós. Procuro dar-lhes aquilo que me dão. Mesmo assim parece nunca vivermos a satisfação plena, talvez isso justifique que de quando em vez nos sintamos “empurrados para diferentes cenários” dos habituais. São “apetites” que nos assaltam. Coloco a questão – “sim podes procurar outros não têm forçosamente é que ser todos como esse de que agora andas à procura”. –- “Pois é mas, o certo é que esse desejo começa a invadir-me frequentemente”. – Respondo-me assim na meditação. Penso que procurando tirar partido da experiência vivida em relação à minha sexualidade, tenho apenas que concentrar-me em cada momento proporcionado e desejado, vivendo-o tão-somente como aquilo que é. Se quero, se existe, se está à venda, se o posso adquirir, então porque não? Pode nunca vir a ser como queremos mas às vezes apetece-me comprar um homem. Não me interessa que seja prostituto, que quase todos são frustrantes, que não partilham o prazer e que por isso são muito remotas as condições para que eu goze. Não faz mal, acho no entanto que uma vez ou outra será possível sentir o prazer, quer pelas características do tipo, do seu saber, da sua competência e dos seus dotes, quer pelo meu momento em termos psíquicos e físicos. Se então depende, se então as dúvidas existem porque devo castrar-me? Quero avançar e aquilo será o que tiver que ser. Também não há assim tantas razões para considerar este tipo de relacionamento como uma autêntica anormalidade tão condenável. O que tenho que saber é se me apetece. Apetece-me. Começou a excitar-me aquela ideia que tenho da maioria dos prostitutos que, quando estão a "trabalhar”, naqueles momentos em que gememos em consequência das suas investidas nos nossos cuzinhos, se põem a dizer para dentro deles, - “toma lá seu paneleiro que pagas para isso”. Humilhar-nos com os seus pensamentos. Pensei um pouco e decidi percorrer por uns tempos esses caminhos. Concentrei-me na ideia de que não me devia preocupar por o parceiro não estar a gozar mas, aproveitar para só eu tirar o prazer por isso. É egoísta mas se não é isso que aquele homem quer porque não pensar só em mim? Posso até chegar a gozar. Solto as minhas preocupações e deixo-me ir até onde der. Vou fazê-lo daqui em diante. A decisão ficou tomada. Agora era só ir à procura. Como nestes casos existe a vantagem de não haver compromissos assumidos, aquilo que não prestasse punha-se logo de parte. Os que demonstrassem ser os melhores mereceriam rendimentos tantas vezes quantas eu recorreria a eles aproveitando mais aquele que melhores capacidades tivesse. Até se podia dar o caso de ter que recorrer a um só, bastaria ser ele um enrabador nato. Calculei que os devia haver por aí. Fiz-me ao caminho.Fi-lo sem pressa. Por enquanto ainda os posso tentar seleccionar. Fui conversando com eles através dos contactos que publicavam na imprensa oferecendo os seus serviços. Tentei confirmar verbal e directamente se confirmavam as suas excelentes qualidades que eram expostas nos anúncios. Aqueles que se diziam muito bem dotados mereciam logo a minha atenção mas não só, procurava também outros pormenores que pudessem ser igualmente interessantes. Analisava depois o timbre das suas vozes e a qualidade da sua conversa. Aos poucos, conforme os avanços, transmitia-lhes os meus desejos. Todos diziam-me serem capazes de mos satisfazer. Claro que procuravam angariar mais um cliente. Faziam o seu marketing. Diziam-me que seria aquilo que eu quisesse. Podia ficar descansado porque eles estavam lá para me servir muito bem. Falávamos também de preços. A sua conversa era tão promocional que alguns até me diziam, sem me convencerem devido à minha desconfiança, que eu os começava a excitar com a minha conversa e que gostariam de me conhecer melhor. Mas eu avisava-os das minhas exigências. Fui-lhes dizendo:- “Depois da primeira vez eu seria tantas vezes seu cliente conforme eu me fosse satisfazendo o que não era assim tão fácil.” Perguntavam-me alguns:
” Então porquê meu querido?”
“Porque sou muito difícil, não de me vir de diversas formas durante o acto, mas serem muito poucos os capazes de me fazer depois também esporrar.” – Esclarecia-os quanto ao que procurava caso prosseguíssemos os nossos contactos. Tentava assim incitá-los a aplicarem-se depois. Não se mostravam receosos quanto às minhas pretensões. Desconheciam no entanto que sou “osso duro de roer”. Com os primeiros, apesar de alguns até me satisfazerem um pouco, nenhum conseguiu no entanto deixar-me tão de “cabeça perdida“ perante as experiências. Em causa disso, não desisti de continuar à procura, e só manteria esses até que surgisse um bem melhor. Ia-os seleccionando.Para aí depois do quinto ou sexto homem, apareceu finalmente alguém que me surpreendeu muito agradavelmente logo desde a primeira vez que estivera com ele em sua casa. Era um daqueles homens que se quer sempre na cama quando o objectivo único se limita pura e simplesmente a entregarmos-lhes o nosso corpo conforme a loucura se nos vai apoderando até nos deixar em “viagem” alucinante pelo mundo maravilhoso. Fiquei com vontade de repetir vezes sem conta o que começara a acontecer comigo quando me abri para que ele me penetrasse e fodesse. Valia bem o preço exigido. Podia agora suspender por uns tempos a minha pesquisa de homens e os engates comerciais do passado. Este começou a ficar mais único. Sempre que podíamos e combinávamos lá nos encontrávamos para que ele me voltasse a fazer o mesmo de sempre. Mesmo que às vezes não chegássemos a tanto eu sabia que aquilo não passava de uma rara excepção. Na maioria das vezes eu ficava “completo”. Ele tinha angariado o seu cliente mais assíduo. Nunca entre qualquer um de nós se insinuou a mínima alteração com vista, mesmo que esporadicamente, ao quebrar dos compromissos assumidos entre os dois ou à mudança daquele tipo de relacionamento que se veio a manter durante mais uns meses desde a nossa primeira vez. Apesar de os nossos encontros serem muito frequentes, tudo era tratado praticamente da mesma forma. Era sempre eu que, quando me apetecia e podia, o abordava para combinar o programa que geralmente até era rotineiro em termos de situação. Umas vezes ia eu a casa dele, noutras ele visitava-me na minha, entabulávamos 5 a 10 minutos de conversa circunstancial, para logo de seguida ele me domar e satisfazer este seu cliente na sua plenitude. Terminado o seu “serviço” não tardaria que também imediatamente pouco tempo depois de efectuado o pagamento da sessão nos despedíssemos com um simples “até à próxima” ficando eu a “pairar” prolongando o êxtase recentemente vivido ainda por um bom par de horas. Houve até períodos em que eu não resisti a voltar no dia seguinte.Excepcionalmente fazíamos uma adenda ao nosso contrato. Acontecia sobretudo quando eu tinha alguns dias livres para poder fazer algumas viagens de passeio, quer a países com praias quentes, húmidas e pouco concorridas, ou a cidades referência. Convidava-o a acompanhar-me alugando-o pelo custo das despesas todas pagas, um valor diário correspondente ao que pagava nas sessões normais e mais um extra que contemplava 10% do conjunto do tal valor diário. Veio sempre. Como nestas circunstâncias andávamos mais descontraídos e a conviver de forma diferente ao habitual e, como nestes dias o contratara em termos de exclusividade, as sessões tinham outro encanto apesar de ele estar na mesma a cumprir as obrigações do seu trabalho.O seu corpo era robusto ao ponto de aguentar o meu em qualquer circunstância dominando-me por completo fosse qual fosse a posição do momento. Parece que fazia questão em explorar todas as posições em cada uma das sessões. Era bem dotado e o seu caralho enrijava-se com muita facilidade mantendo até à minha rendição a sua potente dureza. As suas introduções iniciais “abriam-me” loucamente porque sentia aquele pormenor característico do seu caralho que engrossava cada vez mais a partir da “cabeça” até à base. Sentia-me ser “rasgado” fazendo-me viver um primeiro espasmo quando acabava por fim de o receber totalmente no meu cuzinho delirante com tal rolo de carne. Soltava-me em relação à função do meu “serviçal” ao ponto de não querer saber se por acaso em algum momento sentiu prazer por me estar a enrabar, nunca sequer falámos acerca disso porque fazíamos questão em manter o status-quo do nosso relacionamento não querendo beliscar de forma alguma os compromissos assumidos desde o início. A maioria das fodas eram intermináveis. Raramente o consegui “partir” fisicamente antes que ele me fizesse esporrar perdidamente. Fisicamente ele estava muito bem preparado. Era o profissional que sabia cuidar de si. Estudava bem o seu cliente, analisava bem as suas exigências, detectava-lhe os pontos nevrálgicos que mais depressa o descontrolavam e aplicava-lhe toda a sua competência. Era sempre surpreendente, inconstante e bastante criativo. “Sacrificava-me” com as suas diversificadas investidas algumas das quais chegaram ao ponto de nos fazer deslocar a cama. Ele controlava o tempo e o modo de foder pelo desenvolvimento dos meus “ais” e gemidos que subiam de tom até aos gritos que assinalavam o meu “delírio” final. O seu cliente acabava sempre por ficar satisfeito pela qualidade dos serviços prestados por aquele competente profissional.

Querido, tu podias vir a ser esse homem. A nossa história de vida quase que podera ser tão semelhante como esta. Pelo que conheço dos teus atributos sexuais, reúnes as condições. Digo-o seriamente, não me importaria de ser o teu cliente. Claro que um pouco mais especial. Quando me pus a escrever mais um dos meus contos nunca imaginei que este poderia ter um final assim. Tudo está a ser escrito numa fase muito particular da nossa relação apaixonada e sentimental que há muito estagnou sem que alguém se sinta culpado ou responsável pela sua deterioração. Talvez a vida seja assim mesmo, muitas das vezes ninguém sabe ou percebe porque acontecem as coisas. O certo é que a vida vai continuando estejamos, mortos, vivos, tristes ou alegres. No nosso caso, é provável que nos sintamos por agora mais infelizes mas, não nos deixemos arrastar para um final ainda mais penoso. Sejamos um pouco mais sábios na forma de encarar a nossa sobrevivência. Não nos tornámos inimigos, desejamos manter uma certa ligação, sobretudo pelo que vivemos no passado, criemos então algo que ainda nos una e nos traga recíproco proveito. Sei que inicialmente irás pensar que tudo isto é mais um autêntico disparate da minha parte mas, por tudo o que já fomos, suplico-te, depois de assentar alguma da poeira por agora inconveniente, volta a pensar no assunto as vezes que forem necessárias. Tenta chegar à semelhante conclusão da personagem que relata a sua aventura neste conto sentido: "Se ele quer, se eu preciso, se até não o repugno, se ele paga, porque razão não hei-de aceitar?" Sei que no princípio não será assim tão facilmente que conseguirás interiorizares a outra personagem do meu conto. Assim te chegue tal decisão, é o meu desejo. A partir daí não poderás fazer mais de conta. Para que tudo se assemelhe ao enredo daquela história é mesmo importante que saibas assumir convenientemente o papel que te é proposto. O sucesso deste nosso novo estilo de relação dependerá sempre da tua dedicação profissional porque, não tenho dúvidas das tuas capacidades que poderão fazer de ti um tipo tão competente ou melhor que tal personagem. Fode-me que eu pago-te, vai-te saber bem receber merecidamente pelo prazer louco que proporcionarás ao teu cliente.
(Escrito entre o início de Junho e 11 de Agosto de 2009)

3 comentários:

André disse...

Obg pela visita ao meu blog e em boa hora ela surgiu, que ainda cansado e a hora já avançada, consegui ler dois contos e fiquei completamente envolvido. Parabéns e é lógico que irei continuar a leitura. Fiquei fã.
André

seven disse...

ao andré:
obrigado andré. Vamo«nos então visitando. Abraço

revistagay disse...

Olá!
Através de um outro blog cheguei ao teu e apesar de ainda não ter tido tempo para ler os muitos contos que por aqui passam, tenciono em breve dedicar algum do meu tempo a fazê-lo, pois tenho a certeza que irei gostar.
O blog tem mesmo um nome original.
Um abraço e em breve digo o que acho dos contos